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Alexandra Forbes

A gourmet itinerante

Perfil Alexandra Forbes divide seu tempo entre Montreal, São Paulo e restaurantes pelo mundo afora.

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Jantando no novo Esquina Mocotó do chef Rodrigo Oliveira

Eu digo sempre que tenho a sorte de ter, como leitores, gente muito bacana. Sei porque recebo emails gentilíssimos mas, principalmente, porque ao longo desses muitos anos de estrada fui conhecendo alguns e tornando-me amiga deles. Desde que armei um primeiro encontro de “apresentação”, no Astor, forjaram-se amizades e o grupo, além de um interesse comum por comes, bebes e boa vida, passou a ter até nome: LBV, ou Legião da Boa Vida.

Pois esse encontro foi em 2008, como bem me lembrou uma confrade que prefere ficar anônima.

E na quinta-feira passada, celebramos meia década dessa brincadeira em grandíssimo estilo, com um jantar de pre-estreia do restaurante Esquina Mocotó, do chef Rodrigo Oliveira.

Esquenta no hotel Fasano

Saímos todos juntos, do hotel Fasano, em carros com motorista para podermos beber sem culpa. ;)

Jô Elias, uma das confrades, arrumou para o encontro um patrocínio do celular Lumia 920 da Nokia. Por isso o grupo cresceu: éramos mais de 30!

Esquina Mocotó, com parede ilustrada por Speto          Foto: Ivan Marchetti

Convidei leitores novos e gente que tem a mesma obssessão que eu por comida boa e vinho bom. Uns, eu jamais tinha visto na vida mas conhecia da internet (seguidora fiel de seus posts). Outros são velhos amigos e colegas de mundinho gastronômico.

E lá fomos nós, em comboio, até a Vila Medeiros, uns com vinhões debaixo do braço outros com gim ou cachaça na bolsa. Gente que não brinca em serviço…

E como passamos bem!

O grupo ao redor da mesa comunitária. Ao fundo, lindo painel do Speto.

Mal percebemos a fina garota, tamanha a animação. Pelos comentários à chegada, todos gostaram muito do espaço, mais arrumado do que o Mocotó mas sem cara de lugar “chique”. Uma parede de madeira de demolição. Outra, ao fundo, com belíssimo painel pintado pelo grafiteiro Speto, de quem sou grande fã.

(Aqui, um parêntese: meu colega de FOLHA, o Marcelo Katsuki, fez um post mostrando tudo o que comemos naquela noite, aqui o link. Peço desculpas pela redundância…).

Voltando ao relato: logo ocupamos o mesão central, comunitário, de caipirinha e cerveja em mãos.

As tábuas de embutidos com pão e manteiga sendo finalizadas na cozinha

Abrimos a noite com fatias de pão caseiro (de fermentação natural), manteiga com gostinho de cumaru e tábuas de embutidos de nome engraçadinho: “porcaria”. Incluíam ótimos produtos como presunto cru da Terroá, de Catanduva. Tudo ótimo mas o que roubou a atenção, ofuscando o resto, foi o dadinho de tapioca com porco (primo-irmão dos famosos dadinhos do vizinho Mocotó). Que dúvida que pedimos para repetir?

Ah, e comemos também, obviamente, os dadinhos de tapioca e queijo coalho. Todo mundo que conhece sabe: como a propaganda diz, é impossível comer um só.

Em clima de feliz bagunça, fomos provando a sucessão de pratos.

Panelinha de moela

Como eu já esperava, o Rodrigo não se importou em botar no menu coisas que podem espantar muita gente, como moela, tutano e jiló. Refestelamo-nos!

Ovo com caldo de legumes e jiló Foto: Priscila Forbes

Esse ovo com jiló na foto acima… o jiló não era citado no menu, acho que para não assustar ninguém. :)

Verteram sobre o ovo caldo de legumes. Tinha uma das gemas de laranja mais profundo que já vi, com aquela textura densa e cremosa característica da cocção à vácuo. Quase parecia colar na boca. Para contrastar, a adstringência do jiló. Belo balanço.

Tutano ainda no osso, para tirar com colherinha, salgar e devorar

Tutano, em especial, eu devorei com gosto. Tão difícil de achar em São Paulo…. Pois no Esquina ele vem no osso, mais trêmulo do que gelatina que sai do gelo antes da hora. O cliente tira com colherinha, salga ele mesmo e come com micro-cubinhos de língua em vinagrete.

O nhoque de mandioca (ou “nhoca”, como foi batizado) poderia ter causado estranheza se a plateia não fosse aventureira, já que tem textura mais pegajosa do que um nhoque clássico de batatas. E ao invés de um molho-que-agrade-a-gregos-e-troianos ele veio casado com tucupi e legumes bem nossos: jiló, quiabo… Delicado o sabor, e bem vivaz acidez.

O porco que encerrou os salgados era mais “fácil”: difícil achar quem não goste daquela carne bem temperadinha e macia (o porco, depois de marinado, passa nada menos do que 12 horas no forno!) sobre purê de grão de bico com alho confitado e cenoura.

Porco com purê de grão de bico do Esquina Mocotó

Cajá manga em estado puro…

Os dois doces que provamos, para mim, passaram com muita força o recado “isto aqui não é o Mocotó”. Já cansei de comer compotas bem adocicadas na casa-mãe, e sobremesas deliciosas porém adocicadas demais para meu gosto.

 

Chocolate, cupuaçu e castanha do Pará em uma sobremesa pouco doce

No Esquina, toma-se o caminho inverso, tirando o máximo possível do açúcar. Ganha-se elegância mas arrisca-se deixar pelo caminho aqueles com desejo de algo familiar para adoçar o bico.

Mas Rodrigo não parece querer fugir de riscos. A própria existência do Esquina Mocotó e a audácia de seu menu brasileiríssimo é a maior prova disso.

O chef Rodrigo Oliveira na pre-estreia do Esquina Mocotó

E se tem alguém que tem crédito e simpatia suficientes para bancar essa aposta em uma cozinha nordestina absolutamente nova e talvez difícil de ser compreendida por certos paladares, esse alguém chama-se Rodrigo Oliveira.

 

Esquina Mocotómapa aqui
Av. Nossa Senhora do Loreto, 1.108, V. Medeiros – Tel.: 0/xx/11/2949-7045

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Londres, a grande capital gourmet

Um ano atrás, elogiei rasgadamente aqui os restaurantes que havia visitado em Londres (Hedone, The Ledbury, Albion etc.). Pois acabo de voltar de lá e adivinhem o quê? Comi maravilhosamente bem outra vez, em uma nova leva de endereços. Vejo que Londres se consolidou como principal capital gastronômica do mundo, igualada apenas a Tóquio, a Nova York e a Barcelona, deixando Paris a comer poeira.

Gastei uma fortuna em reputadas casas do bairro chique de Mayfair (Umu e Hibiscus), mas valeu o investimento: grande refinamento, exímio serviço. Estive no muito falado e recém-aberto Balthazar, filial da brasserie homônima em Nova York, em pleno formigueiro turístico de Covent Garden. Que beleza de salão! Que garçons! Cada detalhe do décor imita uma Paris antiga, mas e daí? Almocei bem e saí feliz.

Ultrapassei minha cota de “inglesismo”, começando pelo “Sunday roast” (assado de domingo) do ótimo The Malt House, simpático pub-restaurante de Claude Bosi, chef e proprietário do Hibiscus. Fartei-me de devorar aspargos primaveris, não só lá como nos dois favoritos da viagem, ambos novos: The Kitchen Table e The Clove Club.

O primeiro deveria chamar-se The Kitchen Counter (o balcão da cozinha), pois não tem mesas. A cada noite, 19 sortudos sentam-se em “U” ao redor dos cozinheiros e assistem ao chef James Knappett (ex-Noma) explicando os pratos. O menu homenageia os melhores produtos ingleses, desde mel londrino a queijos artesanais: um show.

O The Clove Club segue linha parecida: chef jovem com currículo estelar (Isaac McHale, ex-St. John Bread & Wine) lança carreira própria servindo (com brilho!) degustações autorais, criativas e orgulhosamente “British” a preço justo.

Achei tempo para voltar ao Hedone, que me pareceu ainda mais delicioso (faz sentido que esteja entre os cem melhores do mundo). Provei cachorros-quentes do fervidíssimo Bubbledogs, wine-bar dos donos do Kitchen Table. E concluí: o que escrevi um ano atrás continua valendo. Quer comer bem? Vá a Londres!

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50 Best latino: sairá em setembro o ranking dos 50 melhores da América Latina

Foi anunciado em Londres no último dia 29: os mesmos organizadores da lista dos 50 melhores restaurantes do mundo estão compilando um ranking dos 50 melhores da América Latina.

Os votos foram colhidos em abril. Os vencedores serão anunciados em Lima dia 4 de setembro.

Quero só ver…. difícil achar um júri composto de pessoas que circulem pelo continente a comer. Eu, que sou uma maluca que não pára de viajar, já acharia difícil nomear sete restaurantes excepcionais na América Latina onde eu tenha comido recentemente. Imaginem então pessoas “normais”, que não pulam de país em país o tempo todo….

Esses votantes, quem serão? Conhecerão o suficiente para votar de modo justo? Não sei…mas espero que sim. Os jurados brasileiros foram escolhidos pelo crítico gastronômico Josimar Melo, meu colega de FOLHA.

Estou bem curiosa para ver quais 50 restaurantes serão escolhidos como excepcionais.

Em Punta, no Uruguai, nunca encontrei nada que prestasse: pior cidade para quem gosta de comer, além de caríssima (mas quando fui, ainda não tinham aberto o hotel com a marca Fasano, que tem um restaurante). Em Mendoza, na Argentina, menos ainda: só carne grelhada, de notável. Santiago, não conheço, não posso falar. Buenos Aires anda renascendo, ouvi dizer. E é a terra do Francis Mallman. Ainda assim, a verdade é que o bom concentra-se em Lima e São Paulo. E o “50 Best Latin America” deverá refletir isso: além dos inevitáveis Pujol e Biko (do México), Roberta Sudbrack (RJ) e Boragó (Chile) creio que veremos muitos e muitos restaurantes paulistanos e limenhos….

E vivem me perguntando quais são as regras. Para não ficar me repetindo, reproduzo a seguir o texto explicativo, da própria organização….

“Apresentação

Organizada pela revista Restaurant, a lista dos 50 melhores restaurantes da América Latina é um panorama anual das opiniões e experiências de mais de 250 especialistas no setor de restaurantes latino-americano. O significado de “melhor” é uma decisão sua. Não há nenhuma lista de critérios predefinidos. Por exemplo, uma experiência interessante em um estabelecimento simples, onde se descubra um nível de inovação excepcional, pode ser considerada melhor do que uma refeição opulenta em um restaurante muito celebrado. A lista dos 50 melhores restaurantes da América Latina, lançada este ano, será o resultado da votação dos latino-americanos em restaurantes localizados nos seguintes países:
• Argentina
• Bahamas
• Belize
• Bolívia Brasil
• Chile
• Colômbia
• Costa Rica
• Cuba
• Dominica
• República Dominicana
• Equador
• El Salvador
• Guiana Francesa
• Guatemala
• Guiana
• Haiti
• Honduras
• Jamaica
• México
• Nicarágua
• Panamá
• Paraguai
• Peru
• Porto Rico
• Suriname
• Trinidad e Tobago
• Uruguai
• Venezuela

Os resultados da votação dos 50 Melhores Restaurantes da América Latina serão anunciados em Lima, Peru, em 4 de Setembro de 2013 e publicados em www.theworlds50best.com e em site oficial, que será anunciado antes do evento.

Regras para o voto

  •  Votos são dados em ordem de preferência, de 1 a 7.
  • Caso um restaurante obtenha o mesmo número de votos, a ordem de preferência será levada em consideração.
  • Deve-se votar em sete restaurantes — nem mais nem menos do que isso.
  • Deve-se pode votar em até quatro restaurantes localizados do próprio país do jurado. Pelo menos três votos devem se destinar a restaurantes fora do país do jurado.
  • É preciso que o jurado tenha visitado os restaurantes nos quais está votando nos últimos 18 meses.
  • Se o jurado trabalha ou detém participação financeira em um restaurante, não poderá votar nesse restaurante.
  • As indicações devem contemplar o restaurante, não o restaurateur ou o chef.
  • O jurado tem que especificar o motivo do seu voto no restaurante número 1 da sua lista.
  • O jurado tem que confirmar a data em que esteve nesse restaurante.
  • Não é possível votar em restaurantes que estejam fechados ou vão fechar em até três meses a contar da publicação da lista, que ocorrerá em setembro de 2013.
  • Todos os votos e comentários são confidenciais.”

E mais 50 Best:

- Minha entrevista com os irmãos Joan, Jordi e Josep Roca, do El Celler de Can Roca, eleito número 1 do mundo no último 50 Best

- Vídeo mostrando o casal Helena Rizzo e Daniel Redondo do restaurante Maní minutos antes da cerimônia de premiação, em Londres, dia 29 de abril.

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Abre em Londres o Oblix, dos mesmos donos do Zuma e do Roka

O Zuma e o Roka (o segundo, especializado em robatas) são dois dos japoneses mais bacanas (e não-tradicionais) de Londres. Hoje, têm filiais pelo mundo.

Sempre bons.

Agora, os donos estão abrindo o Oblix, um restaurante de grelhados e pizzas no prédio mais comentado do ano, o famoso-desde-o-nascimento The Shard. O arranha-céus de 72 andares, bancado pelo sheik do Qatar e desenhado por Renzo Piano, é o mais alto da Europa. Mesmo se a comida não for nota mil, só a vista do salão embrulhado em vastos painéis de vidro, no 32o andar, valerá a visita.

A inauguração oficial é hoje.

OBLIX: The Shard, 31 St Thomas Street, 32 o andar

Tel. +44 (0)20 7268 6700



Link para vídeo no YouTube mostrando a inauguração oficial do The Shard.

 E mais Londres:

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O papel não morre tão cedo

Canso de ouvir que as pessoas querem cada vez mais ler coisas curtas, na internet, e só. Mas se o papel estivesse morto ou caminhando rumo à cova, não haveria tantos chefs escrevendo livros. E se poderíamos pensar que eles são ruins de conta e fazem isso pelo ego, editoras certamente vivem de lucro. Mas o que explica o investimento brutal sendo feito, neste ano, na publicação de um oceano de livros de culinária?

Domingo, fui ao lançamento, em Londres, do livro “Cook It Raw”, sobre encontros de chefs famosos em pontos escondidos e improváveis do planeta. Davam autógrafos vários pesos-pesados, como o italiano Massimo Bottura, o catalão Albert Adrià e Alex Atala.

Capa do livro do restaurante Roberta’s, no Brooklyn, que sairá em breve

Quem convidava era a Phaidon, a editora mais poderosa e prestigiosa que existe hoje na gastronomia. Não por acaso, a Phaidon tem o passe dos chefs-estrela René Redzepi, Magnus Nilsson e Ferran Adrià, e lançará, em setembro, o primeiro livro de Atala destinado ao mercado internacional.

Resolvi compilar uma lista de chefs famosos com livros recém-publicados ou prometidos para os próximos meses. Daniel Boulud! Anne-Sophie Pic! Carlo Mirachi, do restaurante nova-iorquino Roberta’s! Já estava no décimo nome quando me deparei com uma lista semelhante no site americano Eater com nada menos que 59 títulos. No Brasil, há tantos outros.

irmãos Roca e a capa de seu novo livro

Espanha em crise? Pois três de seus maiores restaurantes estão imortalizando, nestes meses, suas receitas em volumes de luxo custando até € 85 (cerca de R$ 220): El Celler de Can Roca, Nerua e Azurmendi.

Quem paga? Aspirantes a chefs, cozinheiros de fim de semana e comilões que viajam o mundo para comer, chamados (às vezes, pejorativamente) de “foodies”. Se leem os textos ou se atrevem-se a testar as receitas, não sei: boa parte da graça está em simplesmente folhear o tijolão, admirar as fotos e usá-lo para decorar a sala (eu que o diga).

Não sei se chegará o dia em que um e-book valerá tanto quanto um lindo volume de capa dura e páginas enormes e lustrosas –mas duvido.

Novo livro (mais um!!) do chef Daniel Boulud

Novo livro do chef Daniel Humm e seu sócio Will Guidara do Eleven Madison Park

Livro do chef Sat Bains, que acaba de ganhar um prêmio. Em foto do próprio, pinçada do Instagram

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Prêmio 50 Melhores Restaurantes do Mundo: entrevista com Helena Rizzo e Dani Redondo do Maní

 

Chefs Dani Redondo e Helena Rizzo, do Maní, 46o na lista dos “50 Best”

Minha estadia aqui em Londres está INTENSA. Como devem saber, ontem à noite foram anunciados os 50 melhores restaurantes do mundo segundo a revista Restaurant, com o D.O.M. em sexto e o Maní em 46o.

Minutos antes da cerimônia, entrevistei rapidamente o casal que comanda a cozinha do Maní, Dani Redondo e Helena Rizzo. Eles não sabiam ainda qual seria sua posição no ranking, mas já estavam felicíssimos de estarem entre os 50. Vejam:

 

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Aqui, a lista completa dos 50 melhores do mundo.

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Entrevistando René Redzepi: não só um grande chef, mas uma grande pessoa

Chef René Redzepi durante a entrevista em Toronto

Vivo dizendo que as pessoas não chegam ao topo de suas profissões à toa. Carisma ajuda muito. E o chef dinamarquês René Redzepi tem carisma de sobra. Um prazer entrevistá-lo: por mais cansado que esteja, sempre responde às  perguntas sem pressa, contando causos, falando um palavrão atrás do outro, fazendo graça.

O resultado da minha mais recente entrevista com ele saiu hoje no caderno COMIDA. Àquela altura, ele me contou que tinha passado dois dias ‘mergulhado’ na vida do Alex Atala para escrever sobre ele. Eu, claro, perguntei para que serviria o texto. Ele disse: “não posso contar mas você logo vai saber… vai ser muito bom para ele….”

Poucos dias depois, saiu a revista TIME elegendo o chef do D.O.M. uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, com texto escrito pelo René. Era esse o porquê dos dois dias de pesquisa….

Comparto aqui trechinhos da conversa que não couberam no jornal, só para complementar:

O que se sabe sobre o Brasil na Dinamarca?

Quase nada. Que na Amazônia há um potencial enorme de sabores a descobrir. Que café vem do Brasil. Mas o país é mais conhecido por suas mulheres maravilhosamente vestidas, dançando lindamente. (risos)

Recentemente o Noma envolveu-se em um escândalo depois que mexilhões contaminados fizeram clientes adoecer. O que aprendeu lidando com essa crise? Algo mudou no Noma depois disso?

Nada. Nem um pouco.  Quer dizer, agora mandamos amostras de nossos frutos do mar para serem testadas no Institudo de Comida da Dinamarca. Normalmente testa-se buscando bactérias, mas vírus, não – o que equivale a uma roleta russa. Mas fora isso, não mudamos nem um pouco. Ficamos ainda mais destemerosos. Se quebra uma máquina de lavar louça, se um alimento contamina-se, você conserta o problema – mas aquilo não vai mudar o rumo do seu restaurante. Outro dia, o forager (homem que colhe coisas selvagens para nós) me trouxe um broto de cassis, tão miúdo que tinha um quê de madeiroso, que, percebemos, dá um ótimo tempero! Descobertas assim é que podem mudar um restaurante.

E ele falou também dos dois chefs-proprietários de um de meus restaurantes favoritos em Montréal, o Joe Beef (Dave McMillan e Fred Morin). Vejam no vídeo:

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Os novos restaurantes de Londres: Balthazar, Story, The Kitchen Table, etc.

Restaurante Balthazar, em Londres                   foto: Sylvia Paret

Sexta-feira embarco para Londres e estou super empolgada. Depois de horas e horas de lição de casa, estou com minhas reservas de restaurantes todas feitas – tem muita coisa nova para ver e experimentar! Resolvi dividir aqui com vocês a lista dos lugares onde pretendo ir comer:

Balthazar

A inauguração do ano. Desde que abriu foi elogiadíssimo por uns, criticadíssimo por outros. Falei dele na minha coluna de quarta-feira passada no Comida. Embora eu não precise ir, em Londres, a uma brasserie francesa filial da homônima de Nova York, o dono, Keith McNally, é um cara fascinante, e o restaurateur mais genial que eu conheço. Talvez por isso valha a visita. Além do que, um pouco de badalo não faz mal a ninguém…
4-6 Russell Street, tel. 44 (0)20 3301 1155

 

 

Hibiscus

O chef, Claude Bosi, é daqueles com sotaque fortíssimo, embora viva em Londres há anos. O lugar pode parecer sério, formal. Mas Bosi não. Cozinha lindamente. Já jantei ali, mas resolvi voltar para conferir como anda – será o único “não-novo” na agenda. Eis neste link o relato, prato-a-prato, de meu último jantar lá.
29 Maddox Street, tel. +44 20 7629-2999

 

The Malt House

Como todo (ou quase todo) chef de renome, Bosi tem um segundo restaurante mais casual e acessível. Nesse caso, um pub. Tem quartos, também, como se fosse uma pousada.
17 Vanston Place, Fulham, tel. +44 207 084 6888

The Kitchen Table

Este aqui é um micro restaurante escondido atrás de um outro, o Bubbledogs. Ali o chef James Knapett (ex-Noma) serve menus degustação aparentemente interessantíssimos. Mas o próprio Bubbledogs parece também bem bacana. Cachorros-quentes “gourmet” casados com champagnes, um belo twist no conceito de um wine bar comum.
70 Charlotte Street

 

Story

Perto da Tower Bridge, esse restaurante cujo tema são os livros é de outro ex-Noma, o chef Tom Sellers (que também trabalhou para Tom Aikens e Thomas Keller). Acabou de abrir (dia 16).
201 Tooley St, London SE1 2UE , tel. +44 207 183 2117

 

The Clove Club

Sobre este aqui eu já escrevi no blog, e inclusive contei neste post que o restaurante entrou para a lista das 50 escolhas foodie do jornal inglês The Observer. O chef-proprietário é o ultrasimpático Isaac McHale, cuja carreira eu venho acompanhando desde que ele era um do duo Young Turks. Ele é mestre em carnes longamente maturadas, ingredientes super ingleses (tipo ovo de gaivota). Ano passado jantei em seu extinto pop-up e saí de queixo caído, então o Clove Club promete.
380 Old Street, tel. +44 207 729 6496

 

Ah, e também vou ao lançamento do livro Cook it Raw, da Phaidon, onde estarão algumas das maiores estrelas da gastronomia mundial: René Redzepi, Albert Adrià, Massimo Bottura e, sim, o nosso Alex Atala, entre vários outros. Quem estiver em Londres e quiser vir…. basta comprar ingresso. O evento irá acontecer no próximo domingo das 14h às 16h, na Royal Geographical Society (1 Kensington Gore LSW7 2AR). Ingressos custam 40 libras e incluem um exemplar do livro.
O que é Cook it Raw? Bem difícil de explicar, mas neste post, eu tento – e mostro fotos de minha participação em uma das edições desse evento maluco.
Quem quiser saber mais pode ler essa matéria publicada ontem no jornal The Observer, que tem link, inclusive, para o site que vende ingressos online.

 

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Belo Comidaria, em Belo Horizonte, de Rafael Mantesso e dois sócios: bom gosto

Fotos: Henrique Queiroga

O gostoso de ser repórter – e o verdadeiro jornalista, seja crítico gastronômico, seja redator-chefe de revista, sempre é, acima de tudo, repórter – é descobrir gente, descobrir lugares.

Não perco essa sede, por mais que tente e queira.

Este fim de semana, conheci um lugar à distância. Coisas de internet. De morar longe e ter que “reportar” via Skype. E saibam que funciona… mais vale um repórter do outro lado do mundo que trabalha direito do que uma estagiária tonta te alugando pessoalmente. Acreditem.

Jornalismo, hoje, não depende do contato cara a cara….

Voltando ao ponto do post: conheci um lugar, o Belo Comidaria. E caí de amores.

Pela história, pela vibe, pela vontade de fazer direito. Adoro coisas antiguinhas.

Este não será um post normal, cheio de detalhes explicando do que se trata o Belo Comidaria. Preguiça. Apenas anotem: se forem a Beagá, é parada obrigatória. Nhoque de angu. Picadinho. Pão bem-feito. Bolos e biscoitos. Décor retrô.

Eu não irei tão logo. Mas me enchem os olhos as fotos (gentilmente cedidas pelo Henrique Queiroga). Sou dessas que gostam de velharias. Principalmente quando bem arranjadas, com bom gosto.

Gostei do lugar. E gostei de descobrir o talento escondido do muito mineiro Rafael Mantesso, um dos sócios, autor do desenho da rapariga nos azulejos, entre outras “artes”. “Ah… isso né nada, quando falta grana a gente faz de tudo…”

ã-hã……. então tá….

 

 

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Chefs-estrela: vilões ou heróis?

O Noodle Bar novo do chef David Chang em Toronto

Estou de partida para Londres, onde reservei mesa na nova filial do popularíssimo Balthazar, de Nova York, que imita uma brasserie parisiense. Mas depois de assistir a um debate acalorado no simpósio Terroir em Toronto, dias atrás, me perguntei se não seria uma ideia estúpida.

Para que comer “soupe à l’oignon” em Londres só porque a brasserie é do famoso restaurateur Keith McNally (Pastis, Minetta Tavern)? Em Londres, normalmente prefiro viver uma experiência londrina a provar cozinhas transplantadas de celebridades, como Alain Ducasse.

A crítica gastronômica canadense Lesley Chesterman questiona: “Para uma cidade tornar-se um destino gastronômico, não deveria ser por ter restaurantes que servem soberba cozinha local que você não acha em nenhum outro lugar? Ou basta ter restaurantes de chefs-estrela?”.

Debateu-se o tema no simpósio porque dois famosos de Nova York abriram há pouco filiais em Toronto. David Chang, dono da rede Momofuku, lançou no hotel Shangri-la um complexo com três restaurantes e um bar. Daniel Boulud, dono do Daniel, Bar Boulud e DBGB, abriu o Café Boulud no hotel Four Seasons.

Chesterman considera um insulto críticos locais dizerem que os dois estrangeiros puseram Toronto no mapa. “Os melhores restaurantes do mundo não são operações-satélite importadas de outro lugar”, diz. Em nome da autenticidade, eu gostaria de concordar. Mas muitas vezes os importados fazem o serviço melhor do que os locais.

Ramen do noodle bar do chef David Chang em Toronto: delícia

Em Londres, onde há milhares de endereços deliciosos, ir atrás de um jantar de grife soa como tolice. Mas em Toronto só agora a cena gastronômica vem se enriquecendo.

Enquanto a cidade se descobre, pelas mãos de talentos como Lucas e Jacob Pearce (Ursa) e Damon Campbell (Bosk), Boulud e Chang preenchem, com eficácia, um espaço vago. Se acho certo? Não é uma questão branco-e-preto, sim-ou-não. Só sei que saí de meu jantar no “complexo Momofuku” de Toronto lambendo os beiços.

E mais Toronto:

- Resumo de tudo o que foi dito no Terroir Symposium – do qual participaram os chefs Magnus Nilsson (Fäviken, na Suécia) e René Redzepi (NOMA, na Dinamarca), com slideshow de fotos (em inglês), no site da revista canadense Toronto Life

 

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